quarta-feira, 20 de abril de 2016
sexta-feira, 1 de abril de 2016
Sobre cafés, respeito e fraternidade.
Olá Leitor! Aqui estou , depois de uns tempos de silêncio
e reflexões, para tratar de um tema que tem me circulado há algum tempo. Hoje, no entanto, vivi uma situação que me
inspirou, enfim, a escrever este texto.
Fui tomar um café, na cafeteria
de um movimentado posto de gasolina, em Campinas e onde tenho ido com certa regularidade. Sempre fui atendido pelas baristas com
presteza, gentileza e simpatia. O ambiente físico do café é muito clean. Compõe-se , na parte inferior,de quatro
mesas altas com duas banquetas cada uma e mais três mesas com sofá para quatro
a seis pessoas cada, em estilo norte americano, tudo isso envolvendo em formato
de “L” ao balcão de serviços, vitrines e cozinha. Para chegar até ele, passa-se
pela área da loja de conveniência onde, ao final encontram-se as escadas que
vão aos salões de baixo, onde fica o referido café e o de cima. Não vou
descrever a parte superior, pois a cena que vou contar transcorreu neste
ambiente que acabei de apresentar.
Encontrava-me sentado à mesa com
sofá, no vértice do “L”, quando três pessoas, duas senhoras e um senhor, todos
na faixa dos 60 ou mais anos, chegaram.
As outras mesas também estavam ocupadas. Apenas uma das banquetas altas
estava desocupada.
Gentilmente ofereci o lugar que
ocupava ao pequeno grupo e me desloquei para a banqueta à frente.
Seguiu-se o tempo,
normalmente. Cada qual, dentro daquele
ambiente fazendo o que lhe interessava: tomando café, conversando, lendo,
trocando mensagens, enquanto as funcionárias cuidavam de seu serviço que, neste
momento, consistia em lavar a louça. Essa ação teria me passado desapercebido,
não fosse pelo rompante e estrondoso grito do senhor que ocupava a mesa que
cedi: “QUE BARULHO INFERNAL! SERÁ QUE VOCÊS NÃO SABEM TRABALHAR EM SILÊNCIO?
FICAM INCOMODANDO TODO MUNDO. ISSO AQUI ESTÁ PARECENDO A (falou o nome de uma
confeitaria que fica localizada na diagonal dessa cafeteria)”.
Esse troado assustou a todos no
café, mas, acredito que por uma reação quase reflexa, alguns outros clientes
riram brevemente.
As funcionárias, desconcertadas e
humilhadas se entreolharam e baixaram a cabeça, continuando seu trabalho, sendo
que, do canto do olho de uma delas, percebi uma lágrima descendo.
Observador por natureza e por
profissão, consegui captar minúcias dessa cena que, acredito, poucos ali
conseguiram notar ou mesmo valorizar.
Havia acontecido, entre cafés, leituras e conversas, um crime de
desrespeito, de assédio moral. Um ser humano havia sido ferido pela grotesca fala
de outrem.
Não sou dado a atos heroicos, mas
aqueles que me conhecem sabem o quanto me incomodo com as injustiças. O meu café literalmente “entalou” na garganta
enquanto meu cérebro se pôs a trazer centenas de hipóteses acerca do
ocorrido. Voltei o foco para a mesa da
ponta, onde estava o grupo, rindo e conversando frouxamente após o estrondo. Nem parecia que dali tinha saído uma rajada de
rispidez e grosseria tão intensos.
Apurei meus sentidos de observação e vi, quando a funcionária deixou o
posto e foi para a loja, fora do café, enquanto uma terceira veio ficar em seu
lugar. Dentro das variadas hipóteses que
pensei, estava a possibilidade daquele homem ser o dono do espaço. Mesmo assim, não justificava a forma como
advertiu as moças pelo dito barulho.
Tratei de buscar a confirmação dessa tese e, na verdade tratava-se de um
cliente, assim como eu e os demais.
Aqui inicio minha reflexão sobre
respeito humano e fraternidade. Disse no
início que o assunto me ronda há tempos, sempre em situações muito semelhantes,
onde há um prestador de serviços e alguém que é o cliente ou o alvo desse
serviço. Alguma coisa acontece e o
funcionário é humilhado. Certa vez, estava
eu com um grupo de pessoas num restaurante onde um senhor toca violão e canta,
indo de mesa em mesa. Algo bastante
tradicional das cantinas italianas do Bixiga,em São Paulo, desta vez, porém,
numa pizzaria em Campinas. Uma das
pessoas da mesa mandou chamar ao gerente e teceu uma série de comentários e reclamações
absurdas sobre o cantor. Destratou-o
quando veio à mesa e depois ainda despejou uma série de impropérios entre os comensais
acerca alguém que estava realizando o seu trabalho. Nessa ocasião, entristeci e calei. Assim como em outras tantas que vi acontecer e
também entristeci e calei, pois me fere perceber o mundo como um lugar onde
seja tão difícil fazer uso do respeito pelo outro, especialmente quando esse
outro apenas e tão somente está realizando seu trabalho. Entristeço ao ver como pessoas que são intelectualizadas,
cultas, viajadas, criadas num referencial moral cristão (como é o caso da
maioria de nós) e que se dizem educadas, conseguem humilhar o próximo sem a
menor dor na consciência.
Entendo que somos todos seres em
evolução, desde o mais humilde ao mais letrado, desde o mais carente ao mais
abastado, todos, indistintamente na mesma condição de aprendizes e transeuntes
do tempo que chamamos contemporaneidade.
Essa condição “transeunte” não condiz
com os preconceitos, as diferenças, as classificações (quando usadas no sentido
de exaltação/humilhação), mas faz perceber que se hoje estou numa determinada
condição, amanhã poderei ocupar o papel oposto.
E essas mudanças tem se processado tão rapidamente que num piscar de
olhos você se vê na situação ou condição à que criticava, rechaçava ou
humilhava. Tantos ensinamentos antigos e
exemplos atuais mostram isso!
Enfim, todos cantam e declamam a
fraternidade, pedem a fraternidade, pregam a fraternidade, mas, em pequenas
situações ferem seus princípios e mostram uma segregação que não pode mais ter
lugar em nosso mundo.
Fraternidade, palavra que
significa irmandade, nos coloca frente a frente com a realidade de que somos
filhos de um mesmo Criador, independente da religião que se professa, da
orientação sexual a que o desejo responde, da posição econômica ou profissional
que se ocupa. Fraternidade implica efetivamente ver o outro
como igual, criado igual e com igual destinação. Transeunte como eu, desta vida, deste momento,
talvez em condição material diferente, mas não diferente nas aspirações de
felicidade. Logo, entendo que todos,
indistintamente, são merecedores do mais profundo respeito pela coragem e
ousadia de serem transeuntes buscadores da felicidade. São
irmãos no caminho, na existência, nesta escola onde, hora aprendemos, hora ensinamos.
Nesta condição, somos todos merecedores de respeito e igualmente responsáveis
por ofertá-lo ao próximo. Quando isso
não acontece, estamos falhando no nosso princípio mais básico, mais natural que
diz que pertencemos a uma mesma espécie: HUMANA.
Pois é, Leitor. Assisti a mais uma cena onde a gente se
envergonha de ser humano. Cena simples,
corriqueira. Mas uma cena dessas que
mostra que se ainda não conseguimos tratar uma funcionária de café como igual,
com o respeito que merece, como pretendemos superar as guerras, os
fratricídios,os genocídios, a fome, os preconceitos?
Dessa vez, considerei que
entristecer e calar não ajudaria. Tentei esclarecer, fazê-lo perceber que fora
muito agressivo e desrespeitoso. A receptividade
do pequeno grupo, como de se esperar, foi péssima. O desenrolar dessa história
não foi um “barraco”, como muitos possam imaginar, embora toda a cena e ele,
particularmente, conspirassem a favor disso. Num lampejo, lembrei que, apesar
de desconectado do sentimento fraterno, também aquele homem é um transeunte, um
aprendiz, merecedor de respeito. Minha forma de respeitá-lo, naquele momento,
foi silenciar e seguir meu caminho, esperando que ele e suas companheiras reflitam
e entendam o que aconteceu e como aquilo afetou a todas as pessoas que ali
estavam.
Meu coração se acalmou quando, ao
terminar de pagar minha conta, as funcionárias do café, inclusive aquela cuja
lágrima correu, me ofereceram seus sorrisos, não só dos lábios, mas dos olhos e
do coração, sorriso de irmãs que se viram reconhecidas na fraternidade e
respeitadas. Uma delas disse “muito obrigado!”, acho que pelo pagamento da
minha conta... Não sei. O que sei,
Leitor, é que não sou dado a atos heroicos, embora as pessoas que me conhecem
saibam que não gosto de injustiças. Se de alguma forma consegui fazer aquelas
moças se sentirem respeitadas, pertencentes à nossa condição humana e fraterna,
se de alguma forma o agressor refletir e não mais fizer isso, se ele um dia se
integrar a essa grande irmandade que todos somos, ajudei um pouquinho o mundo a
chegar mais perto daquilo que consideramos ideal pra sermos felizes.
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Corações Devastados
Olá leitor! Bom escrever pra você novamente!
O tema que escolhi abordar hoje é
fruto de uma sequência de sessões de psicoterapia com mais de um paciente. O ponto comum dessas pessoas é a dificuldade
em estabelecer e manter relacionamentos afetivos genuínos. Também, de diferentes situações, inclusive
minhas, onde o vínculo, independente do tipo, fica comprometido por conta da
inabilidade que, em muitos momentos, todos manifestamos.
Como muitos sabem, de alguns anos
para cá tenho me ocupado de estudar o amor, tarefa que, a cada dia, me revela
algo novo, notável, surpreendente. Óbvio que num pequeno post do blog será
impossível abordar tantas questões que constituem o amplo e infindável universo
dessa força poderosa que é o amor, porém, leitor, neste vou falar de assuntos
como investimento, perdas e lucros, entrega, transformações...
Vou iniciar com um breve resumo de
uma tragédia grega: Medeia, de Eurípedes.
Conta a história que Jasão, o
“herói”, e uma seleta tripulação embarcaram no “Argo”, uma nau construída
especificamente para essa grande viagem e missão e deixaram a Tessália,
para “resgatar” o velo dourado que se
encontrava escondido numa gruta na Cólquida, às margens do Mar Negro, onde
permanecia protegido por um dragão
insone.
Depois de muitas aventuras durante
a jornada, que não nos interessam neste momento, os Argonautas chegaram por fim
à Cólquida, reino de Etes, pai de Medeia, a princesa feiticeira.
Etes não se recusou entregar o
velo para Jasão, mas impõs-lhe algumas tarefas para que conquistasse o direito de levá-lo embora. Medeia, no entanto, sabia que as tarefas
propostas resultavam na morte de Jasão, por quem se apaixonara e decidiu
ajudá-lo. Jasão percebeu isso e como também
tinha se apaixonado, prometeu casamento à princesa, recebendo em troca os
segredos para que superasse as provas impostas e vencesse o dragão insone.
Medeia, seduzida por Jasão e sua
promessa, traiu ao pai e a seu povo e fugiu da Cólquida com os Argonautas,
levando o velo dourado e o seu irmão, o príncipe Absirto, a quem mandou
matar, esquartejar e lançar os pedaços
ao mar para escapar da perseguição de seu pai, o rei Etes.
Já na Tessália, Medeia e Jasão
passaram a viver num castelo onde, durante um tempo, experimentaram uma vida
amorosa da qual nasceram três filhos, ainda que ele não tivesse cumprido a
promessa de casar-se com ela.
Passado mais um tempo, Jasão anunciou
seu casamento com Creusa, a jovem e bela princesa de Corinto.
Medeia, com o coração devastado,
envenenou os filhos de Jasão, matou Creusa e seu pai, Sísifo, encenando, nesta
tragédia, a maior vingança que se poderia realizar para com um homem.
Esse mito, certamente já foi muito
explorado, inclusive e especialmente ao olhar da Psicanálise, abrindo
compreensões diversas acerca de cada personagem envolvido.
Pois bem, leitor, embora não
pareça, é uma história de relacionamento amoroso, de vínculos afetivos. Sim, há o amor permeando o entrelaçamento
dessas pessoas, acrescido, logicamente, de outros interesses. O mito revela o quanto pessoas sucumbem a
interesses diversos que corrompem o amor.
Nessa história existem muitos
interesses: a conquista de um prêmio e, por consequência, de um status (Herói);
a fuga do controle paterno, a possibilidade de experimentar novas aventuras,
conhecer lugares novos; a oportunidade de uma nova vida e, todos se sobrepõem
ao amor.
Esses interesses ligados à
história contada são representantes simbólicos de inúmeros outros que
poderíamos elencar. O importante é entendermos que, todos os tipos de
interesses que usam a máscara do amor para atingir seus objetivos, são na
verdade manifestações do ego, onde residem, muitas vezes, a insatisfação, a
inveja, a crueldade, o orgulho, a cupidez, o egoísmo, a ganância. Também no ego
residem bons propósitos, porém, a escolha do que motiva cada uma das ações é
exclusivamente nossa.
Estará pensando o leitor: como
pode o amor conter esses motivadores tão ruins?
O amor não é um sentimento sublime? Superior?
Você está certo, leitor! Porém, o ser humano usa a máscara do amor
(pensando que é amor) como a forma mais rápida e fácil de conquistar seus
objetivos. Essa máscara não é o amor,
mas uma imitação dele.
Algumas falas e atitudes das
pessoas eventualmente demonstram quando há máscara em cena. Falas como
“investir no relacionamento”, “perder ou ganhar tempo na relação”, “acertar ou
errar nesta ou naquela fórmula para manter a relação”, enfim, atitudes que
revelam um plano onde efetivamente se espera um retorno ou lucro, não tem o
amor como premissa para a relação. E não
falo aqui somente do amor parceria afetivo sexual. Estou falando de todos os níveis de vínculos
amorosos, que vão da parentalidade e da amizade até a parceria afetivo sexual.
O amor, amigo leitor, é uma
entrega, uma construção feita em conjunto. As pessoas envolvidas nessa
construção oferecem o material e a mão de obra para construir a relação. O
alicerce dessa construção tem que ser autêntico, real, para sustentar tudo o
que virá sobre ele, já que existirão coisas boas e ruins, alegrias e tristezas,
felicidades e percalços variados.
Um dos ensinamentos que temos no
Cristianismo é que “o amor cobre a multidão dos pecados”, ou seja, supera
nossas mazelas. Eu entendo que ele
sustenta nosso desejo sincero de sermos melhores, protege contra as intempéries
dos maus sentimentos vindos de dentro e de fora e por fim, recobre, sim, a tudo
que foi colocado de coração nessa construção, como se fora uma brilhante coroa,
uma conclusão da obra. O amor é a casa
toda, desde o alicerce até o telhado.
Essa obra, que temos como um ideal internalizado em nós, já que nascemos
todos para amar, permanece em construção continua até que determinemos seu fim,
o fim de uma relação amorosa. Acredito, leitor, que você tenha percebido que
quando essa construção é genuína, é difícil terminar, pois permanece em estado
de acabamento, manutenção,
aperfeiçoamento. Há sempre algo novo para colocar nessa construção e, penso
que o ideal esperado de nós é que um dia ela seja uma grande, uma imensa mansão
onde caiba toda a humanidade.
Mas vamos parar de “viajar” e
voltar à máscara do amor. Essa não se
sustenta. Cai em algum momento e acaba por revelar o sentimento e desejo
original oculto pelo ego. Quando isso
acontece, a construção desaba e o que resta é a devastação.
Medeia não é uma vilã. Nem
Jasão. São corações devastados que se
deixaram levar pelas máscaras. São
corações que sofreram com uma construção que começou errada e não se
concluiu. Também não são vítimas, mas
são corresponsáveis por aquilo que deixaram de entregar, de oferecer. Fizeram investimentos e esperavam colher
juros e dividendos vindos do outro. As
ações de Medeia na forma de traições e assassinatos nada mais foram do que as
quedas das máscaras usadas em cada vínculo, em cada relação.
Logo, relações onde o ego espera
lucro com o investimento, tende a haver perdas incontáveis. A seguir, movido pelas perdas, o ego busca
reparação usando como recursos, infelizmente, a vingança e depois a culpa. Pois é, leitor, devastação gerando
devastação.
Em tempos atuais as pessoas visam
primeiro o que se pode ganhar e se o investimento ou tempo “gasto” num
relacionamento valerá a pena. Ficar tornou-se a opção indicada, já que
não pede nada (nem sequer uma identidade!) e também não se dá nada. Não há
troca, não há entrega. Só um aparente
ganho pelo prazer. Não há
comprometimento de se construir efetivamente uma relação com tudo o que está
implicado nisso, ou seja, os bons e maus momentos que farão parte dessa
construção. A simples hipótese de que
pode haver dissabores no meio do caminho já marca a decisão pelo não
compromisso. Aí se instala a máscara.
Quero lembrar que amizade é uma forma de relação. Nem isso as pessoas estão
sabendo construir. Preferem apenas ficar.
Note, leitor amigo, que não estou
criticando a modalidade ficar e nem
bancando o puritano careta. Estou
pontuando o quanto nos deixamos conduzir por egos que se permitem distorcer
valores importantes. No nosso caso (Brasil) a cultura primitiva do “sempre levar
vantagem” acabou mais do que cristalizada em nós. E, se alguém vai levar vantagem, por
consequência, outro alguém sairá perdendo. Sim, perdem as relações, perdemos todos,
perde o amor. Corações e corações
devastados pululam por aí, deixando a dor e a frustração como marca registrada
dos muitos vínculos que não “renderam” tudo o que deles se esperava.
E então, uma vez devastado, esse
coração pede reparação, pede justiça! Precisa acontecer alguma coisa para que
continue a existir vida ali. Brota o desejo de vingança, um espinheiro que
machuca mais a quem lhe oferece o campo do que aquele a quem ele é dirigido.
Mas, aos olhos do ego, um espinheiro é melhor do que um deserto. O que não se percebe é que o espinheiro não
protege, provoca isolamento; o
espinheiro não embeleza, torna a alma sombria; o espinheiro não frutifica,
conserva árido o solo devastado do coração.
Assim, leitor, mais uma vez a
máscara cai. Aquilo que o ego mantinha como justo e adequado é enfim percebido
como uma solidão sombria e árida. Novamente o desejo de reparação vem e faz
nascer a culpa. Esse tipo de vegetação é pequeno, feio e sem graça, um quase
nada sobre o solo do coração devastado. Porém, leitor, suas raízes profundas
atacam o ser e minam suas forças, provocando doenças e desequilíbrios orgânicos
e psíquicos de ordem variada. Eu diria que é o pior dos males que pode brotar
em nós, pois se enraíza de tal forma que se torna difícil de arrancar. O ego,
cumprindo seu importante trabalho de tentar nos manter minimamente funcionais,
pega outra máscara e assume novo personagem com aparência amorosa, às vezes
suave, entretanto carregada com as marcas da dor. Entra em cena uma vítima que
busca incessantemente a compaixão daqueles que estão à sua volta. Às vezes,
essa plantinha permanece ligada à pessoa pelo resto da vida onde o coração
sofreu a devastação e, lamentavelmente pode ainda marcar sua presença em outras
vidas que virão.
A culpa é uma terrível erva
daninha que impede o nascimento de outros sentimentos que sejam mais plenos e
espontâneos. Se por um lado ela se alimenta das forças de seu hospedeiro, por
outro depende da atenção que conquista dos outros. Para chamar a atenção, lança
mão de artifícios que prejudicam ainda mais aquele que a carrega: baixa auto
estima, menos valia, melancolia, entre outros, são os elementos que darão o
tom, a cor sem graça, lamentosa dessa vítima.
Existem também aqueles que tentam
compensar a tudo e a todos pela sua imensa culpa. Colocam a máscara da benemerência, da
simpatia extremada e fazem um esforço hercúleo para conquistar o bem querer de
todos ao redor. Usam uma máscara colorida e atraente, mas que não deixa de ser
o que é: uma aparência e, como toda máscara, pode cair a qualquer momento e
mostrar o terreno devastado daquele coração.
Portanto, leitor, vingança e culpa
são as partes que compõem o cenário de um coração devastado.
E o que aconteceu com Medeia
depois de sua vingança, leitor?
Ela fugiu para Atenas, onde se
casou com o rei Egeu e teve um filho, Medo.
Passados alguns anos, Medeia volta para a Cólquida em busca do perdão
de seu pai Etes, levando seu filho consigo. Etes, no entanto, fora
deposto pelo seu irmão Perses. Medeia e
Medo, então, matam Perses e Medo se torna rei da Cólquida.
Observe, Leitor, que apesar do
caminho de Medeia ainda ficar carregado com mais um assassinato com o objetivo
de reparação, há um detalhe importante que mostra a direção que devemos tomar
para recuperar um coração devastado e torná-lo solo fértil e pleno de vida
novamente.
A poesia da música Insensatez, de
Tom Jobim e Vinícius de Moraes, conta exatamente essa história, de um coração
devastado, trazendo a resposta:
Ah, insensatez, que você fez,
Coração mais sem cuidado...
Fez chorar de dor o seu amor,
Um amor tão delicado...
Ah! Porque você foi fraco assim?
Assim, tão desalmado?
Não merece ser amado.
Vai meu coração, ouve a razão,
Usa só sinceridade.
Quem semeia vento, diz a razão,
Colhe sempre tempestade.
Vai, meu coração, pede
perdão!
Perdão apaixonado!
Vai, porque quem não pede
perdão...
Não é nunca perdoado.
Esse é o pesticida que elimina o espinheiro da vingança e seca as raízes
da culpa. É o remédio para as moléstias do corpo e da mente, fundamentadas na
culpa. É o fertilizante que transformará o solo árido do coração devastado em
imenso campo florido onde se poderá, enfim, construir e construir e construir inúmeras
moradas de amor genuíno.
Ralmer.
sexta-feira, 29 de maio de 2015
Sobre dor, tristeza e acolhimento.
Olá leitor. As
últimas semanas foram repletas de acontecimentos em meu mundo particular, me
levando às reflexões que quero apresentar.
São muitas coisas ao nosso redor que nos mobilizam para a
sensação da dor emocional e da tristeza.
De igual maneira, existem aquelas que partem de nós mesmos, seja pelos
nossos atos, pensamentos ou interpretação distorcida de um evento ou situação.
Mas, independente da origem, a verdade é que quando algumas dessas coisas
acontecem, ou provocamos ou entramos em sofrimento.
O sofrimento é único e particular. Duas pessoas jamais
passarão pelo mesmo grau de dor, tristeza e sofrimento ou igual interpretação
dos fatos. Requer, portanto, que o acolhimento seja cuidadoso, atento e,
principalmente, focalizado na pessoa que está em sofrimento. Não há acolhimento
quando não acontece empatia, quando acontece julgamento ou desqualificação do
sofrimento do outro e, pior ainda, quando aquele que deveria acolher tenta
comparar essa dor e sofrimento com outras histórias pessoais ou não. Isso, além de profundamente egoísta, pode até
ser um tanto agressivo.
Disso podemos concluir que nem todos sabem acolher e que,
por vezes podem até piorar a sensação naquele que sofre. E o fato de ser um
profissional que tenha estudado qualquer curso ou técnica específicos para o
atendimento daqueles que sofrem, não garante essa habilidade a ninguém, já que
o acolhimento vem do coração. Ou seja: a
comunicação entre quem está em sofrimento e quem acolhe é de coração para
coração.
Isso é importantíssimo, já que é o que determina o auxílio
real e efetivo. O acolhimento se faz ouvindo com o coração, amparando
amorosamente, refletindo com sabedoria e sem imposições.
Mas, o que fazer quando não se possui esse repertório e
capacidade? O respeito à dor do outro é
a saída. Um respeito que pode ser manifesto através do simples silêncio, já que
dessa forma não haverá julgamentos e/ou comparações. Um respeito que nos foi
ensinado há pelo menos 2000 anos e que diz “amar ao próximo como a si mesmo”,
ou seja, oferecer ao outro aquilo que gostaríamos de receber quando da nossa
dor e tristeza.
Pois bem leitor, conforme mencionei no começo deste texto, as
últimas semanas foram de grande estresse emocional, de embates, combates,
perdas emocionais significativas e surpresas, quanto ao acolhimento que não
aconteceu. Minha percepção é a de que as pessoas, inclusive as mais próximas,
perderam o foco que deveria estar naquele que precisa ser cuidado em suas dores
e tristezas, não conseguindo sair de si mesmas.
O resultado disso se percebe no aumento de conflitos nas relações, na
violência crescente, em pessoas cada vez menos comprometidas com a cidadania, com a humanidade,
com o planeta, em adultos gananciosos, egoístas e sem paciência.
Ainda falando das duas últimas semanas, nelas tomei muito
contato com ensinamentos referentes a esse dom, a paciência, um dos nove atributos
do amor, e acabei entendendo que é um aprendizado difícil, mas necessário. Uma prova de sabedoria! Entendi também e
novamente que, nas relações ela começa em nós e não deve ser esperada como
manifestação do outro, mesmo que estejamos precisando muito ser acolhidos com
paciência e amorosidade. Se você espera
o acolhimento e ele não vem, a frustração advinda dessa falta aumenta a dor
emocional e a tristeza significativamente. Como fazer? A paciência precisa
correr em duas vias, mesmo sabendo o quanto isso é complicado pra quem está no
sofrimento.
Profissionais da área das ciências humanas e prestação de
serviços, em geral são treinados para bem acolher; amigos, de modo geral
poderiam exercer acolhimento; pais, irmãos e cônjuges deveriam,
indubitavelmente, respeitar a dor e o sofrimento dos seus. Mas...
Seja como for, leitor, deixo registrado aqui as poucas
sugestões para melhor lidar com a dor, a tristeza e o sofrimento das pessoas ao
nosso redor: amorosidade, paciência e respeito; abrir mão de si mesmo, do olhar
egoísta e vaidoso para que se consiga perceber efetivamente o outro.
Se você, leitor, estiver do outro lado, se for você quem
está sofrendo, triste e dolorido, mantenha a paciência e use de amorosidade para consigo mesmo. O
autoacolhimento pode ser praticado, por mais solitário que pareça, já que o
ensinamento citado acima esclarece: ame como a si mesmo. Antes de amar o outro, temos que exercitar e
cuidar do amor por nós mesmos. Não é fácil!
Mas se o fosse, qual o mérito do aprendizado?
Um grande abraço, leitor, e que possamos superar as nossas
dores e tristezas, nos fortalecendo e amando o suficiente para ajudar os outros
a vencerem seus próprios sofrimentos.
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Homofóbicos.
Olá Leitor!
Um acontecimento recente, bem próximo de mim, e
muito, mas muito desagradável, me motivou voltar à escrita, com um tema
polêmico e ao mesmo tempo de extrema relevância: HOMOFOBIA.
Não, leitor, não é tema batido e nem repetitivo. Ainda
presenciamos cenas de barbárie como assassinatos brutais, violência gratuita e agressões
inexplicáveis, tanto no contexto físico quanto no psicológico. Crueldades que não
se registram nem mesmo entre os mais selvagens e perigosos animais da natureza.
Seria um tema batido se de fato as pessoas, de modo geral, estivessem já
educadas e firmes na iniciativa de combater qualquer forma de preconceito e
respeitar o ser humano em sua totalidade.
Infelizmente não é isso o que acontece.
Vamos lá!
Apesar de o termo HOMOFOBIA significar literalmente “medo ou aversão do que é igual”,
ele foi aplicado no senso comum como “medo ou aversão ao indivíduo, homem ou
mulher, com orientação homoafetiva ou homoerótica”. Se pensarmos bem, o termo adequado para isso
seria HETEROFOBIA, pois teria como
significado o “medo ou aversão do que é diferente” e serviria para nomear a tal
intolerância com aquele que é diferente nas crenças, práticas, vivências,
desejo, etc.
Diante deste esdrúxulo (mas verdadeiro) comparativo,
de imediato, podemos perceber que se trata de preconceito em relação ao que o
outro faz, a forma como vive, seus valores, seus desejos, seu convívio, sua
educação, sua cultura.
Estranhamente, o ponto que definitivamente me leva
à preocupação em relação ao tema é que, geralmente, o indivíduo homofóbico
exerce sua ação restritiva, violenta, agressiva, sem que tenha sido
efetivamente provocado para isso. O que quero dizer, é que são poucos os casos
em que um homoerótico ou homoafetivo deliberadamente exerce uma provocação
dirigida ao homofóbico. E como você, leitor, já deve ter percebido, é sobre este
último elemento que vou explanar.
Saindo um pouco do discurso raso de que todo
homofóbico tem a sua sexualidade mal resolvida, embora este possa, sim, ser um
dos motivos para que ele exerça a perseguição, desejo, antes, levantar outros
pontos para reflexão.
O preconceito sobre qualquer coisa significa, de
imediato, desconhecimento de um conceito, má elaboração de um conceito, pré-concepção
sem base acerca de um conceito ou ainda distorção de um conceito. Explico: para
lidar com os temas cujos conceitos desconhecemos, de modo geral, utilizamos um
mecanismo de elaboração e aplicação de códigos de regras captados do meio onde
estamos inseridos (família, religião, escola, sociedade, etc.). Às vezes, as
informações captadas são suficientes para a compreensão de um determinado
conceito ou fenômeno a ele ligado. Às vezes não. Por outras vezes, mesmo
desconhecendo o conceito e usando esse mecanismo que forma o “pré” conceito,
acontece uma sintonia com o dado fenômeno atrelado ao conceito e dessa forma,
não gera desconforto nem para quem não conhece de fato o conceito e nem para
quem está diretamente ligado ao fenômeno. Por outro lado, quando ocorre uma
distonia, instala-se um desconforto, uma frustração e um desprazer. Estes
aspectos, por sua vez, virão a eliciar as atitudes de rejeição, negação e
eliminação do fenômeno, tudo e todos a ele relacionado. A frase que resume este
caminho é: “eu rejeito, nego e elimino aquilo que ignoro ou que não compreendo”.
Vimos a base, o alicerce. Avançando um pouco mais, vamos nos deparar
com o medo e a aversão. O medo é um mecanismo irracional, usado para prevenir
ou evitar coisas ou situações que ponham em risco nossa integridade física e
psicológica. É irracional pelo fato de colocar o corpo em alerta para ações
rápidas e defensivas, às vezes reflexas.
A frase de quem teme alguma coisa é: “eu me defendo daquilo que me dá
medo”.
A aversão refere-se às sensações (geralmente
orgânicas que podem também estar acompanhadas de respostas emocionais) de extrema
aflição e desagrado, tais como a dor, a náusea, sensações de tontura, falta de
ar, choro convulsivo e eliciar reações, por exemplo, coléricas. A frase que
pode exemplificar uma pessoa que tem aversão é: “eu sofro muito, passo mal com
aquilo que me aflige”.
O termo fobia está associado ao medo e à aversão. É
uma manifestação excessiva, absurda de medo e/ou aversão e só pode ser controlada
através da evitação permanente do objeto ou situação específica, causadora dessas
sensações. Cabe dizer que a angústia sentida pelo fóbico não é proporcional ao
perigo, porém o sentimento fica incontrolável.
Os cientistas do comportamento afirmam que ela é aprendida, tanto quanto
a resposta de evitação ou eliminação do estímulo. Uma frase representativa de um fóbico pode
ser: “Tire
isso daqui! Não posso suportar!”.
Por fim, é necessário colocar em cena as questões
inconscientes que vão desde os traumas ou experiências vividas como traumáticas
no passado, que são jogadas para o esquecimento e terminam deslocadas para
respostas emocionais de aversão, medo e fobia a objetos, pessoas ou situações
que as evoquem. É aquilo que mencionei no começo como tornado senso comum
acerca da homofobia ou ainda da violência sexual, onde as pessoas insistem em
generalizar que todo homofóbico é um gay enrustido, que foi abusado quando
criança ou que sofreu um trauma na infância; assim como generalizam que todo
abusador um dia foi abusado. É possível, mas não é regra. A frase que
exemplifica este indivíduo pode ser: “Odeio isso. Não preciso de motivo.
Simplesmente odeio isso”.
De certo modo, quando ficamos sabendo de uma
barbaridade cometida contra um(a) homossexual, bissexual, transgenero ou
travesti, o homofóbico envolvido está mais próximo deste último tipo, já que
desenvolve um quadro psicopatológico mais intenso, beirando a psicopatia, ou
seja, perde o critério e julgamento dos próprios atos em relação ao outro. Por
esse motivo esse tipo de homofóbico ficou mais conhecido.
Vale dizer, no entanto, que os outros tipos citados
também podem exercer (e o fazem) atos homofóbicos bastante agressivos, seja
física ou psicologicamente. Nesse caso, estamos falando inclusive do bullying,
cuja ação pode mesmo induzir a vítima até ao suicídio.
A descrição dos tipos acima, me faz pensar muitas
coisas, leitor. Entre elas, como fica o discurso homofóbico padrão: “Eu rejeito,
nego e elimino o gay, pois não o compreendo. Como não o compreendo, tenho medo
e preciso me defender. Isso me aflige e provoca sofrimento, pois passo muito mal.
Portanto, quero que tire esse gay daqui, da minha vida ou do meu convívio! Não
posso suportar! Odeio gays e não preciso de motivo. Simplesmente odeio gays”.
Não preciso mencionar o quanto é
lamentável.
Pensei também numa cena que vi, certa vez, num
documentário sobre a faixa de Gaza. No documentário aparecia um homem jovem
ensinando e forçando seu filho de 3 ou 4 anos a ofender e tacar pedras em quem
estivesse do outro lado da cerca. Igualmente, do outro lado, outro homem, com
um filho entre 5 e 6 anos, ensinava e forçava a mesma coisa. Duas crianças, em lados opostos, sendo
ensinadas e violentadas (sim, violentadas! Crianças não nascem agressivas. Isso
é uma violência.) para se odiarem mutuamente, por motivos (conceitos) que
naquele momento, em função de suas idades e fases de desenvolvimento, jamais
conseguiriam compreender e elaborar. Este é um excelente exemplo de como se
instala o preconceito e mesmo a fobia.
Dependendo das chances e possibilidades dessas crianças, talvez pudessem
resignificar esse aprendizado, a partir da apreensão do verdadeiro conceito
envolvido nesse fenômeno político social e escolher outro caminho, outra
atitude que não a agressão e a destruição do outro. Num paralelo, o que quero
dizer aqui é que, o homofóbico, seja por trauma inconsciente, seja por
ignorância (a maioria), seja por aprendizado, tem a possibilidade de resignificar
e abandonar a atitude destrutiva.
Portanto, pode-se estabelecer que o homofóbico ou
(1) é um ignorante que se deixa levar por um preconceito (ignorante, aqui neste
texto, é aquele que ignora algo, no caso, o conceito); ou (2) é um medroso que
deposita na figura do homossexual um perigo fantasioso para sua integridade
física e não quer superar esse medo; ou (3) aprendeu algo errado e desenvolveu
uma fobia inexplicável, a qual não tem disponibilidade para corrigir, ou (4) tem
uma aversão que pode estar relacionada com experiências inconscientes que
carecem de tratamento. Em todos os casos
acima descritos, o homofóbico, quando questionado sobre o que o motiva para a
agressão, não consegue uma explicação coerente e fundamentada. Não há conceito.
Quando pensamos nestes tipos, há ainda que lembrar
que aqueles que exercem o mesmo papel dos pais, naquela cena do documentário sobre
a faixa de gaza, são tão ou mais perigosos e doentes que aqueles a quem
“educam” para o preconceito e para a agressão.
Atualmente, em nosso país enfrenta-se um momento delicado, posto que
muitos líderes de certos grupos religiosos atestam que a homossexualidade é
algo para ser erradicado da face do planeta. São (des)educadores que pregam um
sem número de distorções e ainda afirmam que isso é em nome de Deus. Não
bastaram as guerras santas para demonstrar que quando se trata do Criador, não
há como encaixar agressão, eliminação, destruição? Nada disso pode “criar”!
Além disso, surpreendentemente, a pessoa que
deveria cuidar e assegurar os direitos humanos a todos em nosso país, não passa
de um poço de preconceitos no que se refere à diversidade racial, econômica e
sexual.
Mas, voltando ao tema original (sem ter saído dele),
o homofóbico que se deixa crer nos preconceitos ensinados por outros
homofóbicos ou aqueles que “entram no embalo” do bullying com um colega de
escola, de trabalho, de grupo, um membro da família, geralmente acreditam que
estão cumprindo uma missão, fazendo um bem para a humanidade. Em suas fantasias
são verdadeiros heróis que, porém, não fazem o bem pelo simples fatos de
fazê-lo. Esperam um tipo de pagamento. Uma recompensa, um reconhecimento, um
lugar especial na preferência do líder. Nutrem a expectativa de, a partir de
seus atos “(in)sanitários”*, serem premiados e elevados diante dos demais. Sentem-se imbuídos de um poder maior que lhes
permite acusar, julgar e penalizar o outro que apenas quer ter o direito de
viver o seu amor, seu desejo e seu prazer, assim como qualquer pessoa. Aqui, o
crime que é imputado é o ser diferente daquilo que, sabe-se lá quem, definiu
como norma a ser seguida, regra a ser mantida. (*trocadilho do autor)
Também esses tipos de homofóbicos são doentes.
Carentes de reconhecimento, de afeto e de amor, tentam realizar algo (ab)usando
da integridade do outro. Perdem a noção de humanidade, de humildade e de
fraternidade.
Pois é, leitor, como disse lá no começo, nesta semana
estive às voltas com esse tema, de forma muito próxima. Me chocou, surpreendeu,
desgastou, mas resultou nestas reflexões que, de verdade, me auxiliam muito no
exercício de minha profissão onde busco orientar as pessoas no sentido de serem
melhores e assim , produzirmos um mundo melhor.
Às vezes esbarramos com ignorantes, preconceituosos, presunçosos que se
arvoram de um falso heroísmo e do falso direito de “eliminar” o que é
diferente.
Sim leitor, são essas as manifestações da homofobia.
Ferramentas ardilosas que os vários tipos de homofóbicos usam às vezes de
maneira sutil e com as quais, seja de fato ou simbolicamente, ceifam relações,
destroem afetos, trituram grupos e amizades, acabam com famílias. Lamentavelmente
não percebem que, na verdade, estão sempre destroçando a si próprios e
comprometendo-se gravemente com a humanidade que fica ferida cada vez que
qualquer um dos seus é também ferido. Esperemos que parte deles desperte e
busque a compreensão, o conhecimento para a superação do preconceito e
especialmente a ajuda para resignificar suas dores.
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